Três dos endereços mais cotados de Londres vão mudar de bandeira sem mudar de endereço. A Constellation Hotels confiou a Neil Jacobs, que comandou a Six Senses por mais de treze anos, a criação de uma empresa de gestão hoteleira e de uma marca global construída em torno do The Connaught, The Berkeley e The Emory. Esta é a continuação lógica da cisão do grupo Maybourne, que entrou em vigor em 9 de julho de 2026 e separou os ativos entre dois proprietários. O nome da nova marca será revelado até o final do ano, e Paris será sua primeira inauguração.
- 🏛️ A base · The Connaught (Mayfair), The Berkeley (Knightsbridge) e The Emory (Hyde Park Corner), três palaces londrinos agora detidos pela Constellation Hotels
- 👤 O nome · Neil Jacobs, diretor-geral da nova empresa de gestão, ex-chefe da Six Senses e fundador do coletivo de consultoria Wild Origins
- 📅 O calendário · Cisão da Maybourne efetiva em 9 de julho de 2026, nomeação anunciada no início de setembro de 2026, nome da marca esperado antes do final do ano
- 🌍 A expansão · Um hotel em Saint-Germain, em Paris, um projeto em Marrakech e a propriedade inglesa de Hackwood Park, em Hampshire
- 🤝 O que não muda · A Maybourne continua operando os três hotéis durante um período acordado: nada muda para os hóspedes no curto prazo

A missão confiada a Neil Jacobs
Não se trata de gerenciar três hotéis, mas de transformá-los em uma marca. A Constellation Hotels, proprietária catari, cria uma empresa autônoma de gestão hoteleira e confia a direção-geral a Neil Jacobs, que trabalhará ao lado de Gianluca Muzzi, diretor-geral da Constellation Hotels e ex-co-diretor da Maybourne. «Estamos na posição rara de formar uma nova coleção internacional tendo The Connaught, The Berkeley e The Emory como bases», explica Neil Jacobs. Ele afirma querer «repensar o que pode ser um ambiente hoteleiro de exceção» e mirar, além dos quartos e do serviço, em «lugares cuja energia se sente assim que se entra».
A fórmula merece ser levada a sério, pois é exatamente isso que ele conseguiu fazer em outros lugares. Partir de uma base de três casas já estabelecidas também representa um desafio: é preciso construir uma identidade comum sem apagar o que torna cada uma delas única. Este é o exercício mais delicado da hotelaria de luxo e a razão pela qual muitas coleções acabam padronizando o que queriam celebrar.
Quem é Neil Jacobs
Neil Jacobs liderou a Six Senses por mais de treze anos, transformando-a em uma marca inconfundível, fundamentada no bem-estar, na sustentabilidade e em uma forte conexão local. O grupo foi adquirido pelo IHG em 2019, uma operação que validou seu modelo perante os grandes operadores. Ele deixou a operação hoteleira em 2025 para fundar a Wild Origins, um coletivo de consultoria criativa, antes deste retorno ao comando de uma operadora. Sua nomeação sinaliza a direção da futura marca: saúde global, longevidade e medicina integrativa, transpostas desta vez não mais para retiros tropicais, mas para palaces urbanos centenários.

The Connaught, a casa-mãe da futura marca
Em Mayfair, o The Connaught cultiva há mais de um século uma clientela fiel e a discrição de um clube privado. A casa abriga o Connaught Bar, regularmente classificado entre os melhores do mundo, a mesa com três estrelas Michelin de Hélène Darroze, um restaurante assinado por Jean-Georges Vongerichten e um dos raros Aman Spas de Londres. Este é o endereço que confere à futura coleção sua legitimidade e seu padrão de serviço, e aquele pelo qual a nova gestão será julgada primeiro.


The Berkeley, o toque contemporâneo
Em Knightsbridge, o The Berkeley adota uma proposta mais moderna, a poucos passos de Hyde Park e das grandes lojas de departamentos. Sua piscina na cobertura, que se abre para o céu de Londres, é uma das poucas da cidade, e seu chá da tarde inspirado em desfiles de moda faz parte dos rituais locais. Nos últimos anos, o hotel realizou uma reforma profunda em seus quartos e áreas sociais. Na futura marca, ele trará o que o The Connaught não pode oferecer: um endereço voltado para o exterior, mais jovem e mais aberto à cidade.


The Emory, o laboratório da longevidade
Inaugurado em 2024 em Hyde Park Corner, o The Emory é o mais recente e o mais radical dos três. É o primeiro hotel de Londres composto inteiramente por suítes, projetado pelo escritório de Richard Rogers, com um andar por designer e uma cobertura coroada por um terraço com vista para Hyde Park. No subsolo, o clube Surrenne reúne piscina, spa e programas de longevidade em um espaço acessível apenas para membros. Este é exatamente o terreno de jogo de Neil Jacobs e o melhor indício de como será a nova marca: um luxo urbano onde o bem-estar não é um serviço complementar, mas a coluna vertebral da estadia.


Paris, Marrakech e uma propriedade inglesa
O portfólio não se limita a Londres. A Constellation também detém o projeto do hotel em Saint-Germain, na Margem Esquerda em Paris, um empreendimento em Marrakech e Hackwood Park, uma propriedade campestre em Hampshire. O caso parisiense é o mais interessante de acompanhar: o endereço havia sido anunciado como The Maybourne Saint-Germain, mas a marca Maybourne permaneceu com Regis Maybourne durante a cisão. Portanto, ele deve abrir sob outra bandeira, previsivelmente aquela que Neil Jacobs revelará até o final do ano, o que fará de Paris a primeira inauguração concebida integralmente sob a nova marca. Acompanhe as notícias sobre hotéis no Reino Unido na La Revue des Hôtels.
Resumo: quem ficou com o quê
A cisão de 9 de julho de 2026 dividiu o portfólio em dois. Regis Maybourne manteve a marca Maybourne, além do Claridge’s, The Maybourne Riviera e The Maybourne Beverly Hills, sob a liderança de Marc Socker. A Constellation Hotels ficou com o The Connaught, The Berkeley, The Emory e os projetos em desenvolvimento. O efeito menos comentado dessa separação é, no entanto, o mais concreto: o Claridge’s e o The Connaught, geridos por muito tempo como duas faces de uma mesma casa, tornam-se concorrentes diretos no mesmo mercado londrino.
O que muda para os hóspedes
No curto prazo, nada. Os acordos de gestão existentes continuam em vigor e a Maybourne segue operando os três hotéis por um período acordado, enquanto a nova empresa se estrutura. Reservas, programas de fidelidade e as equipes atuais não sofrem alterações. A verdadeira mudança ocorrerá no momento da transição da bandeira, quando a nova marca assumir o controle da experiência do hóspede. Acompanharemos de perto dois pontos em particular: o destino das adesões ao clube Surrenne e a forma como a futura identidade será aplicada a uma casa tão pessoal quanto o The Connaught.
Nossa visão
Criar uma marca de luxo a partir de três casas que não precisavam dela é um exercício arriscado. The Connaught e The Berkeley valem primariamente por sua singularidade, e a história da hotelaria está cheia de coleções que diluíram aquilo que pretendiam celebrar. A escolha de Neil Jacobs, no entanto, é o melhor sinal possível: ele é um dos raros líderes que conseguiram construir uma marca forte sem padronizar os endereços que a compõem. O teste real será Paris, a primeira inauguração pensada desde a origem para a nova bandeira. Até lá, a abertura do livro de reservas do Saint-Germain valerá mais do que qualquer declaração de intenções.
Informações práticas
- The Connaught · Carlos Place, Mayfair, Londres W1K 2AL
- The Berkeley · Wilton Place, Knightsbridge, Londres SW1X 7RL
- The Emory · Old Barrack Yard, Londres SW1X 7NP
- A acompanhar · O nome da nova marca, anunciado até o final de 2026








