O essencial
- L’hôtel Du Tasso abriu em Sorrento, na Piazza della Vittoria, no palácio do século XVI onde nasceu o poeta Torquato Tasso em 1544.
- Trinta e três chaves, incluindo quinze suítes e suítes júnior, em um cinco estrelas de bolso assinado pelo arquiteto Antonio Girardi.
- Um espaço de bem-estar instalado em antigas cavernas de tufo romanas, e um elevador esculpido na rocha que desce até a praia de San Francesco.
- Uma capela privada do século XV com afrescos, dedicada à Madonna Stella Maris, preservada na propriedade.
- Um restaurante aberto a visitantes externos, confiado ao chef Marco Del Sorbo.
Há endereços que emprestam sua narrativa de seu decorador, e outros que a receberam como herança. O L’hôtel Du Tasso pertence à segunda categoria. O palácio que ocupa, na Piazza della Vittoria em Sorrento, é a casa natal de Torquato Tasso, autor de Jerusalém Libertada, nascido aqui em 1544. Os viajantes do Grand Tour já paravam ali no século XVIII. O local reabre hoje como um cinco estrelas de trinta e três chaves, e a pergunta que ele faz é a correta: o que se faz com uma casa assim sem descaracterizá-la?





Uma casa de poeta acima do mar Tirreno
A resposta está, antes de tudo, naquilo que não foi tocado. A restauração preservou as estruturas originais em vez de redesenhá-las, a começar pelas abóbadas, destacadas por uma simples linha azul que lembra a linha do horizonte. O palácio mantém sua escala de residência privada, e o hotel extrai daí sua atmosfera: trinta e três chaves em um edifício deste tamanho significam corredores curtos, patamares acolhedores e a ausência total do que a hotelaria de massa costuma impor.
A localização faz o resto. Sorrento é construída sobre uma falésia de tufo, e a Piazza della Vittoria ocupa sua borda. Da fachada, a vista se estende sobre o golfo de Nápoles e, em dias claros, sobre o Vesúvio. O jardim histórico plantado com cítricos, herdado da casa, prolonga o edifício do lado da terra.
O toque contemporâneo de Antonio Girardi
O arquiteto Antonio Girardi trabalhou a luz em vez da decoração. Os espaços comuns associam lustres de vidro de Veneza a um piso xadrez de mármore preto e branco, dois estilos que poderiam se anular, mas que funcionam juntos porque o restante é mantido em silêncio. O vocabulário é o da costa de Sorrento, não o de um catálogo.
Nos quartos, o artesanato assume o controle: detalhes em ráfia natural, tecidos sóbrios, móveis baixos. Os banheiros brincam com o contraste mineral entre o mármore de Carrara e um azul brasileiro profundo. É o tipo de detalhe que não sai tão bem em fotos, mas que se nota ao acordar.
Cavernas romanas, uma capela, um elevador na falésia
É aqui que o endereço deixa de ser apenas um belo hotel para se tornar um lugar singular. O espaço de bem-estar ocupa antigas cavernas de tufo escavadas na época romana, sob o palácio. Não se desce para um spa, desce-se para dentro da falésia. O contraste térmico com o terraço, alguns metros acima, faz parte da experiência.
Dois outros elementos merecem destaque. Uma capela privada do século XV, dedicada à Madonna Stella Maris, conserva seus afrescos de época dentro da propriedade. E um elevador esculpido na rocha conecta diretamente o hotel à praia de San Francesco e ao porto, o que resolve em um minuto o problema que Sorrento apresenta a todos os seus visitantes: a cidade fica no alto, o mar fica embaixo.
A mesa de Marco Del Sorbo
O restaurante está sob o comando do chef Marco Del Sorbo, em um estilo campânio: produtos locais, cozinha sazonal, uma abordagem direta em vez de demonstrativa. Detalhe importante: o restaurante é aberto a visitantes externos, o que o torna um endereço da cidade e não apenas um serviço para os hóspedes. Em um destino onde a gastronomia hoteleira costuma se fechar para seus hóspedes, a escolha é notável.
Para quem e em qual momento
O Du Tasso é voltado para quem quer Sorrento sem a multidão de Sorrento. Seu tamanho o torna ideal para estadias curtas, de duas a quatro noites, preferencialmente na meia estação, em maio ou setembro, quando a Costa Amalfitana volta a ser transitável e a luz está melhor. Famílias grandes se sentirão menos à vontade aqui do que casais e viajantes solo, para quem a escala da casa é precisamente o grande atrativo.
Esta é uma abertura que diz muito sobre a hotelaria italiana atual: o patrimônio deixa de ser um mero argumento de folheto para se tornar a própria essência do projeto. Aqui, a casa existia antes do hotel, e isso se faz notar.









