- ✨ Primeiro endereço da IHCL em Odisha · o grupo Taj assina um resort Tree of Life às margens do lago Chilika
- 🔑 Trinta chaves apenas · vista panorâmica para a lagoa, restaurante all-day dining, bar, piscina, spa e sala de reuniões
- 🐬 Um santuário protegido · a maior lagoa salobra da Ásia · mais de 160 espécies de aves e o boto do Irawí
- 🏗️ Projeto greenfield · construção nova, anunciada em junho de 2026 · nenhuma data de abertura divulgada
Há na Índia cerca de trinta estados e territórios, e apenas um punhado deles figura no mapa da hotelaria de luxo: Rajastão, Kerala, Goa, Maharashtra. Odisha, com 42 milhões de habitantes na costa leste, não faz parte deles. É isso que torna interessante a assinatura da Indian Hotels Company, proprietária do Taj e principal grupo hoteleiro do país, para um resort às margens do lago Chilika. Trinta chaves, marca Tree of Life, terreno virgem.
Índice
Trinta chaves na margem, e nada mais
O programa resume-se a poucas linhas, e isso é proposital. O resort contará com trinta chaves posicionadas à beira da água, com vista desimpedida para a lagoa, um restaurante aberto o dia todo, um bar, uma piscina, um spa e uma sala de reuniões de bom porte. Tree of Life é a coleção de refúgios discretos do grupo, reservada pela IHCL para endereços pequenos ou isolados demais para ostentar a bandeira Taj.
O projeto é um greenfield, ou seja, uma construção totalmente nova em um terreno virgem, assinado com Sanjay Gadodia, executivo à frente da Scania Steels and Powers, um grupo diversificado com atuação em Odisha, Chhattisgarh, Andhra Pradesh e Karnataka, que fatura cerca de 1.500 crores de rúpias. O anúncio foi feito em junho de 2026 e nenhuma data de inauguração foi comunicada: portanto, este projeto deve ser visto como um compromisso de longo prazo, e não como uma abertura iminente.
Chilika, a maior lagoa salobra da Ásia
A lagoa estende-se ao longo da costa de Odisha e conecta-se ao golfo de Bengala por um canal estreito, o que confere às suas águas uma salinidade variável e ao seu ecossistema uma singularidade única. Mais de 160 espécies de aves são registradas ali, e o local abriga uma das últimas populações de botos do Irawí, uma espécie ameaçada. A área integra a lista indicativa de patrimônios mundiais da UNESCO.
O inverno concentra o espetáculo: dezenas de milhares de aves migratórias vindas da Sibéria e da Ásia Central pousam nos pântanos de Mangalajodi, ao norte da lagoa, onde a observação é feita em barcos empurrados por varas. O detalhe que faz toda a diferença para um hoteleiro: esses barcos são conduzidos por ex-caçadores furtivos reconvertidos em guias, um dos raros exemplos indianos de conservação que realmente transformou a economia de uma aldeia. A pesca, por sua vez, sustenta mais de cento e cinquenta mil pessoas nas margens.
Uma nota de total transparência: as imagens acima mostram a lagoa e seu santuário, e não o resort. O terreno está vazio e nenhuma renderização do projeto foi divulgada até o momento.
Por que Odisha e por que agora
A IHCL opera ou desenvolve 640 hotéis, dos quais 263 ainda estão no pipeline, espalhados por quatro continentes e mais de trezentas localidades. Nessa escala, o crescimento já não depende de Mumbai ou Jaipur: ele acontece nos estados onde o grupo não tem presença, utilizando formatos de trinta a sessenta chaves que exigem baixo investimento e garantem a exclusividade de um território por duas décadas.
Suma Venkatesh, diretora de desenvolvimento e imobiliário da IHCL, resume a tese em uma frase: a demanda está migrando para destinos naturais e pouco explorados. A tradução operacional é mais pragmática. Uma marca confidencial serve de cabeça de ponte: abre-se com trinta chaves, avalia-se o mercado e, se a demanda responder, a bandeira Taj entra em cena na sequência. É o movimento que descrevemos em nossa análise sobre o capital institucional na hotelaria indiana.
Nossa visão
O risco desse tipo de projeto não é comercial, mas ecológico. Chilika é uma lagoa frágil, já sob forte pressão da aquicultura de camarão e do assoreamento do seu canal. Um resort de trinta chaves tem impacto mínimo nessa escala, mas funciona como um sinal: onde a IHCL se estabelece, outros seguem, raramente com o mesmo comedimento.
O que joga a favor do projeto é o seu tamanho. Trinta chaves em uma lagoa dessa magnitude representam a escala de uma vila, e não de um resort de massa. E para o público francofone e internacional, Chilika possui uma raridade: nenhuma agência a comercializa ainda. É exatamente isso que faltava ao sudeste da Índia, cuja primeira premiação hoteleira nacional deixou de fora, mais uma vez, quase todos os endereços da região.
O resort ainda não está aberto para reservas.
→ Toda a nossa cobertura de Tree of Life Chilika Lake, Odisha (5 artigos)















